Out 27th, 2009
Jornalista Digital: veículos do futuro

Entrevista Thaís Naldoni (Jornalista)
Jornalista Digital: veículos do futuro
Por Jorge Sauma e Gustavo Arcanjo
G1, R7, UOL, Terra, Portal ORM e Diário Online. Portais como esses, com acesso rápido e fácil, além de uma série de ferramentas visuais e de áudio, fazem do jornalismo digital o meio mais eficaz de adquirir informações em cima do lance. Exemplos como a morte do ícone Michael Jackson e do procurador municipal bêbado, preso no centro de Belém, foram publicadas, em primeira mão, pelos portais de notícias.
As novas mídias são responsáveis por um aumento no número de vagas de emprego para jornalistas e outras áreas da formação profissional. No entanto, segundo a jornalista, editora executiva do Portal Imprensa, Thais Naldoni, é necessária qualificação profissional para se adequar ao novo mercado. Em entrevista exclusiva ao Gaby ++ Aditivado, a jornalista fala sobre o mercado, o funcionamento do Portal Imprensa e, também, sobre as tendências do mercado digital. Confira.
Gaby Aditivado - Há um campo amplo de trabalho para os jornalistas na área digital? Qual é a tendência desse mercado?
Thaís Naldoni - Acredito que os veículos online sejam mesmo os veículos do futuro. Não porque acredite no prenúncio do fim dos veículos impressos, mas porque o mundo está cada vez mais digital. Como campo de trabalho, certamente, ao lado das assessorias de comunicação, é o ramo que mais vai empregar jornalistas daqui por diante, bem mais que as mídias tradicionais. Ainda há muito que o meio online tenha que fazer para que se desenvolva de fato, ainda é muito incerto seu formato mais adequado, até porque o público é muito ramificado e heterogêneo. Mas, certamente, é a mídia que já tem os pés no futuro por ser a plataforma que converge todas as demais mídias.
GA - Hoje, alguns sites de notícia abrem espaço para os internautas encaminharem suas reportagens. Como você vê isso? Não há risco de desvalorização do papel do profissional?
TN - A web 2.0, o perfil colaborativo, a participação cada vez maior do internauta/leitor é uma tendência inegável. Há, inclusive, projetos de revistas feitos com conteúdo colaborativo. Em se tratando de internet, acho que é um caminho inevitável, mas deve-se tomar bastante cuidado, já que nem tudo o que o internauta manda é 100% confiável. Basta lembrar do caso do UOL que deixou no ar uma foto enviada por leitor, que tinha sido tratada em computador para simular uma pessoa se jogando do prédio da TAM, no dia do acidente no aeroporto de Congonhas.
Não acredito que o profissional se desvalorize até porque a maior parte que faz uso das colaborações mantém um profissional como editor de página, que filtra as notícias e, se for o caso, as checa para evitar que erros graves entrem no ar. Acho que o bom profissional se valoriza.
GA - O jornalista digital deve ser ágil. Como coordenar essa agilidade com uma apuração baseada na verdade e na ética?
TN - Ninguém quer perder um furo, nem se pode se tiver a informação na mão. Checar sempre é a melhor alternativa, claro. Os preceitos básicos do jornalismo valem para qualquer mídia: ouvir todos os lados da história, checar e afins. A vantagem do meio digital é que a notícia pode ser atualizada. Isso não quer dizer corrigida, quer dizer atualizada mesmo. Um exemplo: você tem uma informação certa na mão. Faça de conta que o Cid Moreira vai sair da Rede Globo. A primeira informação está checada? Ele vai mesmo, Ok? A primeira pílula pode ser posta no ar. O furo é seu. Na seqüência, corre-se atrás do restante da informação: na emissora, fala-se com o profissional e a matéria cresce e se completa em minutos. Tudo checado.
GA - Como o jornalista pode se preparar para esse mercado digital?
TN - Primeiro, navegar e começar a entender de internet. Estudos, cursos também ajudam, claro. É importante que se tenha em mente que a internet é um veículo muito ágil, que a linguagem é específica. Quanto mais direto e cheio de informações foi um texto, mais leitura ele vai dar. Parece um estranho um veículo que te dá todo o espaço do mundo pedir textos diretos e não muito longos, principalmente em se tratando de hardnews.
Mas eu sempre digo: o cara que lê notícias pela web quer informação rápida, completa e instantânea. Não tem tempo e não quer perder tempo com blá blá blá. Se o texto for longo e cansativo, ele procura a informação em outro lugar, já que a oferta na web é enorme. É importante também que o jornalista que gosta de web tenha um ótimo português e agilidade de apuração. Como tudo vai ao ar muito rápido, o risco de ser publicado um texto com erros hediondos é grande de o profissional não for preparado. E a agilidade é importante para que ele não seja “furado” a toda a hora pela concorrência.
GA - Quais são as perspectivas de mercado para esse novo perfil profissional? O que ainda pode mudar a médio e a longo prazos?
Esse mercado ainda está engatinhando. A internet está cada vez mais disseminada e acredito que todos os veículos ainda estejam em períodos de testes. Mas brinco muito com minha equipe que o profissional que se dá bem com internet, trabalha em qualquer mídia, mas o contrário não é verdadeiro. Há jornalistas que têm extrema dificuldade de trabalhar sob muita pressão, que travam o texto, não se organizam. Então, acredito mesmo que o profissional que se prepara bem para os veículos online, sobretudo os hardnews, tenham grandes possibilidades de ganho e mercado em qualquer mídia.
GA - Como são selecionados os articulistas do Portal Imprensa e como funciona o Portal?
TN - Os articulistas do Portal são pessoas que agreguem valor ao veículo no sentido de frescor, novidade, aliada à vivência, experiência e leveza. Explico: não busco colunistas pelo seu nome ou fama no mercado, mas pelo seu frescor de idéias, pela leveza de escrita, pela novidade de seus textos. E que isso agregue conhecimento e valor a quem acessa o Portal. Busco articulistas que tenham o que falar e que sejam originais. Não que façam mais do mesmo.
O Portal tem uma equipe pequena, mas muito eficiente. Começamos atualizações às 7h30 da manhã e paramos a hora que Deus quer (risos). Damos notícias do mundo todo no que concerne ao trabalho de jornalistas, meios de comunicação, tecnologia, TV digital, políticas públicas de comunicação, entre outros. É pauta que não acaba mais. Por dia entram, em média, 40 matérias.
GA - O que significa a internet para o jornalismo? Você acredita ser possível fazer jornalismo de qualidade e credibilidade sem o auxilio da internet?
TN - A internet é, além de uma ferramenta, uma plataforma de mídia. Ferramenta porque podemos fazer pesquisas instantâneas, fazer contatos, procurar pessoas, falar com fontes. E plataforma porque todos os veículos de comunicação têm seus braços na web, isso quando não é especificamente web. Então, tornou-se fundamental por ser um grande facilitador no dia-a-dia das redações.
Antes da internet, havia jornalismo de qualidade no mundo todo, então dá para fazer Jornalismo sem internet. Um pouco mais lento, mas dá. Mas, é inegável o quanto esse meio facilita a vida dos profissionais.
E os blogs, qual a sua opinião? São importantes para o jornalismo atual?
TN - Os blogs são importantes sim. Para o Jornalismo são bacanas porque grandes articulistas nos brindam com análises super interessantes e em tempo real pelos blogs. Já para os não-jornalistas, é uma excelente ferramenta que presta um grande serviço para a liberdade de expressão.
*Thaís Naldoni é jornalista, graduada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Com passagens pela Folha Online e Sportv, também atuou como repórter e secretária de redação da Revista IMPRENSA. Atualmente, é editora-executiva do Portal IMPRENSA e apresentadora do programa “Imprensa na TV”.
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