Set 24th, 2009
Web, políticos e elefantes
Por Carlos Thompson
A Internet assusta muita gente. Política na Internet assusta muito mais. A paródia com a brincadeira infantil se justifica pelo zelo demonstrado por nossos ilustres (?) senadores passam o pente fino na nova legislação eleitoral, com restrições aqui e ali ao uso da web.
O que incomoda os políticos é a extrema liberdade da Internet, a força dos sites de relacionamento, a rápida replicação de uma informação. Mas, quem tem medo disso? Ora, quem teme notícias negativas a seu respeito.
É óbvio que há boatos infundados que atravessam o ambiente virtual com a velocidade de um raio. Nada diferente da vida real, com propagadores diferentes – telefones fixos, celulares, conversas em escritórios, universidades, nas baladas noturnas.
Mas a Internet tem maior poder de agregar informações, e uma via inigualável para disseminá-las. Isso não pede censura, e sim participação. Os políticos que não devem nem temem podem participar de blogs, Twitter, Orkut, Facebook, para prestar contas do que prometeram e cumpriram (ou, mais comumente, não cumpriram).
Não podem, contudo, brincar com a paciência de pessoas esclarecidas, acostumadas às novas tecnologias, à geração Y, os jovens nascidos a partir de 1978. Eles têm consciência ambiental, domínio tecnológico, e acham que verdade é verdade, não importando o ambiente. Traduzindo, não é possível bancar o correto na web, e sujar a água que bebe no mundo dito real.
O senador Aloísio Mercadante, muito afeito às redes de relacionamento, provou o gosto amargo de anunciar sua renúncia da liderança do PT via Twitter, com o adjetivo ‘irrevogável’. Em contato com o presidente Lula, mudou de ideia. Os blogueiros têm, porém, memória de elefante.
O que nos leva à citação que abriu este texto, em sua versão original: Um elefante incomoda muita gente, dois elefantes incomodam muito mais.
*Carlos Thompsom é jornalista, diretor da Casa da Notícia (SP), responsável pelo atendimento aos clientes, pela elaboração de projetos, treinamento de porta-vozes e gestão de crises. Foi repórter da Folha de São Paulo, do Jornal Computerworld, do Jornal Zero Hora, Folha Hoje e da Rádio Gaúcha.
Enviar por e-mail | Hits para esta publicação: 145

Interessante o artigo, bem atual.