Ago 31st, 2009
Os desafios da comunicação associativa

Entrevista Debora Diniz (jornalista)
Os desafios da comunicação associativa
Por Jorge Sauma e Gustavo Arcanjo
Cada cliente tem peculiaridades, alguém duvida? Atuar como assessor de imprensa significa cuidar da imagem do cliente e manter bom relacionamento com a imprensa, seja nacional ou regional. Entretanto, com tantas ideologias políticas e visões diferenciadas sobre os mais diversos assuntos, fica difícil agradar tantas pessoas, ainda mais, quando o cliente é formado por uma categoria, como a Associação de Magistrados Brasileiros (AMB), entidade nacional que congrega mais de 14 mil magistrados.
Na AMB, os mecanismos para atingir os associados são inúmeros, desde o informativo impresso, até um portal de notícias (www.amb.com.br), atualizado simultaneamente a cada novidade do mundo judiciário. Em entrevista exclusiva ao Gaby Aditivado, a jornalista e gerente de comunicação da entidade, Débora Diniz, conta um pouco mais sobre as estruturas de comunicação da associação; os resultados alcançados; a relação com os jornalistas das entidades afiliadas à AMB; e também; sobre o Prêmio AMB de Jornalismo. Vale a pena conferir.
Gaby Aditivado - Quais ferramentas a AMB utiliza para atingir os mais de 14 mil juízes associados?
Debora Diniz - Procuramos explorar todas as mídias disponíveis, com destaque para um jornal impresso e o portal de internet. Além do conteúdo produzido pela equipe de comunicação interna, divulgado em nossos veículos, temos um trabalho de assessoria de imprensa proativo, a cargo de uma empresa de comunicação terceirizada. Ao todo, podemos dizer que a AMB conta hoje com o trabalho de dez jornalistas. Com isso conseguimos difundir a mensagem da entidade não só entre os 14 mil juízes associados, mas entre toda a sociedade.
GA - O que diferencia a comunicação associativa da comunicação que atende um cliente do segmento empresarial?
DD - Não vejo muita diferença. Não temos a pressão do lucro, mas temos a pressão política. Além disso, nossos associados não deixam de ser clientes: eles contribuem voluntariamente com a entidade e esperam pelo “produto” – no nosso caso, a defesa de uma categoria forte, exigente e bem informada. De nada adianta fazer muito se ninguém sabe o que está sendo feito. Nosso papel é justamente evitar que isso aconteça.
GA - Que estruturas a gerência de comunicação dispõe?
DD - Bem, temos uma equipe interna formada por seis jornalistas. Eles são responsáveis pela produção do AMB Informa, nosso jornal impresso; pelo portal; pela Rádio AMB e TV AMB. Além disso, cuidam da cobertura da agenda do nosso presidente e diretores. É nossa responsabilidade, ainda, a produção de todas as peças de comunicação da AMB, como cartazes e cartilhas. Funcionamos como uma redação. Como eu já disse, além da equipe interna, contamos com uma empresa de comunicação – a In Press Porter Novelli – que é responsável pelo relacionamento com a imprensa. Aí são outros quatro jornalistas, um deles atuando exclusivamente para a associação. Também temos um programador visual. Temos condições de produzir quase tudo na própria AMB. Quando isso não é possível, buscamos empresas no mercado que possam dar esse suporte, sempre primando pela qualidade.
GA - A internet ainda é alvo de resistência para muitos brasileiros, inclusive para os magistrados. Isso preocupou a AMB em algum momento, já que o portal de notícias da entidade é dos principais canais de ligação com a classe?
DD - Sim, é uma preocupação constante. Temos buscado novas estratégias para atrair os associados para o portal, a ferramenta mais eficiente quando precisamos transmitir uma informação com velocidade. Este, aliás, é o principal motivo da criação da TV e Rádio AMB, dois novos projetos, que serão hospedados no site.
GA - Quais os resultados positivos e expressivos foram alcançados em comunicação nos últimos anos pela AMB?
DD - São muitos, a começar por nossa inserção na mídia. No ano passado, por exemplo, tivemos mais de 6,6 mil inserções na imprensa. E não trabalhamos com mídia paga, todas as matérias foram espontâneas. Apesar de alguns temas polêmicos, mais de 90% dessas matérias são positivas. Nossas campanhas têm sido reconhecidas e premiadas, obtivemos importantes parcerias e nas duas pesquisas de avaliação dos nossos veículos de comunicação tivemos um nível de aprovação de nossos associados superior a 80%. Mas ainda temos muito a fazer.
GA - Quais as principais dificuldades encontradas na divulgação de ações de instituições associativas como a AMB?
DD - Não dá para agradar todo mundo, sempre. Alguns temas são polêmicos e o desafio da comunicação é fazer com que esses temas não tragam prejuízos à imagem da instituição ou ao seu relacionamento com o associado. Felizmente temos conseguido esse resultado na maioria das vezes. Mas sabemos nem sempre é possível agradar o público interno (o associado) e a opinião pública simultaneamente, especialmente nas questões mais corporativas.
GA - A AMB já possuiu um programa de televisão. Como era produzido o programa e quais razões impediram seu prosseguimento?
DD - Tínhamos uma empresa terceirizada, que produzia todo o programa, sob nossa supervisão. Em vez de dizer que o programa acabou, prefiro falar em suspensão por tempo indeterminado. Podemos voltar tão logo encontremos uma fórmula que porporcione uma boa razão custo X benefício, especialmente em relação à audiência. Acredito que um investimento como este só vale a pena se conseguimos atingir o público que queremos, e isto não vinha acontecendo.
GA - Que tipo de ações de relacionamento a entidade promove para aproximar os jornalistas do judiciário? Como são essas ações?
DD - São várias, a começar pela disponibilidade de nossos diretores em atender à imprensa em suas demandas, mesmo naquelas mais difíceis. As campanhas da AMB voltadas para o público externo também credenciam a entidade como referência dos grandes temas nacionais. Nossa relação com a imprensa é construída dia após dia, e vai muito além da distribuição pura e simples de um release ou do “agendão” da entidade. Procuramos marcar posição em todas as grandes questões. Para falar de uma ação prática, posso citar o Prêmio AMB de Jornalismo, que já é o mais importante para os profissionais que cobrem o Judiciário.
GA - E o relacionamento com as associações espalhadas pelo Brasil, como funciona?
DD - Procuramos estabelecer uma relação de parceria. Como entidade nacional, temos procurado incentivar a profissionalização dos assessores, mostrando a importância de que cada entidade tenha pelo menos um jornalista cuidando da comunicação da entidade. E o resultado tem sido excelente. Um termômetro é o Encontro de Jornalistas das Associações Filiadas à AMB (EJAFA). Pudemos constatar que quase todas as associações filiadas contam hoje com um profissional da área.
GA - A AMB possui o Prêmio AMB de Jornalismo há algum tempo. O que motivou a criação do prêmio? E o resultados estão sendo positivos?
DD - Foi mais uma estratégia de aproximação com a imprensa. O resultado é positivo, haja vista o número de inscritos, que não pára de crescer.
*Débora Diniz é graduada em Comunicação Social – jornalismo, com especialização em telejornalismo. Já atuou em vários segmentos da comunicação, desde jornal e TV, até no jornalismo online e em revista. Está na AMB desde 2005, primeiro como prestadora de serviços de assessoria de imprensa e, há dois anos, como gerente de comunicação.
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É sempre gratificante conhecer um pouco mais do trabalho de quem atua no mesmo segmento, no entanto, com experiências diferentes, como no caso da AMB. Legal também é ver que existem gestores que investem de verdade em comunicação.
Oi Debora, adorei a entrevista. Aproveito para perguntar sobre o mercado de jornalistas em BSB, como anda?Muito concorrido?Parabébns pelo trabalho e pela trajetório à frente dessa importante instituição juridica.
Abraços.
Parabéns, essa entrevista está maravilhosa. A gente percebe que é essencial que o segmento jurídico tenha consciência da importância do jornalista no apoio institucional. Além de manter uma equipe afinada com tudo que acontece entre os magistrados. Pena que nem todos os segmentos tenham a mesma visão estratégica e ainda desvalorizem uma boa equipe de comunicação ao seu lado.