25 Mar, 2008
Plano de comunicação: para sobreviver na selva das imagens

Edvan Feitosa Coutinho*
Sem plano de comunicação não há comunicação. Essa é a máxima do professor Thierry Libaert, doutor em Comunicação, mestre de conferências sobre comunicação de empresas e organizações em universidades na França e na Bélgica. Mais que um acadêmico, Libaert é um dos primeiros profissionais de comunicação a atuar em grandes empresas francesas e também junto a organismos governamentais, como ministérios e prefeituras, e não-governamentais, como associações sem fins lucrativos. Com a experiência prática e a teoria, ele escreveu vários livros sobre comunicação corporativa – alguns se tornaram espécies de bíblias para quem atua nessa área.
É o caso de O Plano de Comunicação – definir e organizar sua estratégia de comunicação. Dunod, 2ª Edição, Paris (há uma versão em espanhol publicada em 2005 por edições Noriega). No livro, Libaert diz que é preciso ver a comunicação como uma técnica essencial para sustentar uma dinâmica de desenvolvimento da empresa ou organização. “Até os anos 90, o responsável pela comunicação estava sozinho à bordo. Hoje ele está sob os olhares dos colegas dos departamentos jurídico e financeiro: toda a comunicação é filtrada por advogados, avaliada pelo diretor financeiro, pelo diretor de compras, referendado pelo controlador de gestão”, diz o professor. E por que isso? Simples, os dias atuais são os dias da hipermediatização e da descentralização das mídias. A TV e os jornais não são os únicos meios de informação disponíveis aos consumidores, formadores de opinião, investidores, parceiros e fornecedores. “Hoje a imagem uma empresa é considerada ativo dotado de valor financeiro e que pode estar no centro de ligações gigantescas”, acrescenta o professor. Ele dá um exemplo do mundo das ONGs: “veja o que aconteceu depois do tsunami na Ásia. As entidades que mais arrecadaram doações foram justamente as mais conhecidas, reconhecidas e citadas”.
Na selva de marcas, empresas e organizações precisam sobressair em dias de concorrência acirrada e públicos exigentes porque públicos mais conscientes. Aí é que entra a comunicação como arma essencial na guerra pelos corações e mentes. E a estratégia precisa ser clara: tudo no papel (ou na tela) com data para acontecer, responsável pela execução, meios orçamentários e tudo mais. É o que o Libaert chama de tabela de bordo.
Outro aspecto que o professor defende é a avaliação das ações de comunicação. “Toda ação de comunicação pode ser medida em seus efeitos”, sentencia. “Essa tendência é tão clara que hoje, aqui na Europa, as diretorias de comunicação passam a contar com pelo menos 3 profissionais especializados nessa avaliação”. Mas Libaert aconselha: quem faz o plano de comunicação não deve também avaliar os efeitos desse plano. Para ele, a avaliação, com pesquisas quantitativas e qualitativas, devem ser feitas de forma independente. “Essa é outra tendência, a de agências especializadas em avaliação das ações de comunicação”. Isso garante uma isenção maior.
*Jornalista há 20 anos. Atualmente cursa o mestrado em Mídia, Cultura e Educação na Université Catholique de Louvain (UCL), em Louvain La Neuve, Bélgica.

