Arquivo de Fevereiro de 2008

Aditivado

E agora mané?

Yara Peres*

Você, profissional de comunicação corporativa, está pronto para orientar seu cliente a se relacionar com o novo consumidor que vem por aí? Falo do consumidor 2.0, parte de uma imensa comunidade pronta para depor a favor ou contra você e sua empresa. Você o conhece? Já o viu de perto? Sabe o que ele pensa?

Atualmente existe cerca de 1 bilhão de internautas interconectados entre si, compartilhando informações, expectativas, medos e soluções. Esse número já deve ser outro, bem maior, até terminar a leitura deste meu texto. O fato é que estamos mais expostos hoje do que estávamos ontem. Mas, mais importante do que a quantidade, é a qualidade do conteúdo que é compartilhado, que deve nos chamar a atenção. É aí que mora o perigo para nossos clientes ou empresa. O nível de sofisticação vem se acentuando a cada clique deixando para trás várias das baboseiras escritas por adolescentes sem compromisso.

São esses novos consumidores que rodeiam sua empresa, a observam, comentam sobre ela, encarregam-se de expô-la à opinião pública. Esse consumidor 2.0 é o que gera mídia, “que se alastra no formato de conteúdo on-line, expandindo-se em diferentes formatos multimídia”, afirma Roberto Meir, Publisher da Padrão Editorial.

Esse novo cidadão deixou a passividade no século passado e tomou consciência da importância da pró-atividade na decisão do seu futuro. Faz, interfere, opina, arrisca palpites, decide, influencia a opinião pública. Ele é a opinião pública. Isso muda tudo nas empresas porque muda a forma delas se relacionarem com o seu consumidor, seja ele C (consumidor final) ou B (business). Muda inclusive o olhar sobre a própria empresa. Setores da empresa que antes estavam alojados próximos à porta de serviço, como o de atendimento ao cliente, hoje devem ganhar lugar de destaque na corporação. Afinal, é o único departamento apto a dialogar em tempo real com o consumidor 2.0.

Os jornais já dedicam mais espaço a esse novo cidadão, as rádios também abrem caminho para a sua participação, a internet se rende ao peso de suas opiniões. Já existe inclusive um blog dedicado a reunir todos os consumidores que não conseguem achar o caminho para reclamar e exigir seus direitos das empresas menos interativas. É o www.tadificil.com.br, de Mercedes Sanchez. O foco é medir a facilidade/dificuldade de achar informações sobre determinada empresa na internet ou de usar um de seus produtos ou serviços.

O blog de Mercedes é inteiramente alimentado por seus usuários que enviam fotos, textos e vídeos contando suas dificuldades com esta ou aquela empresa. Segundo sua criadora, o foco não é reclamação do consumidor, mas a dificuldade de uso dos produtos ou serviços das empresas, ou mesmo dificuldade de encontrar informações sobre elas ou provocar respostas delas. Desde 2006, o blog já recebeu mais de cem mil visitantes.

E então, colega profissional de comunicação, você está preparado para ajudar a sua empresa a lidar com esse turbilhão novo que se apresenta como consumidor?

* Sócia e vice-presidente do Grupo CDN. Formada em jornalismo, publicidade e propaganda, atua há 20 anos como consultora na área de comunicação corporativa. Blog: www.blogdayara.com.br

Aditivado

Chuva de boas notícias

Carlos Thompson*

Recentemente, fui desafiado a definir comunicação empresarial, sem recorrer a termos técnicos, ao “comuniquês”, ou a expressões em inglês. Pensei em uma metáfora vinculada a algo bem forte para os belenenses – a chuva.
Nós, comunicadores, somos contadores de histórias. Como os bardos – os poetas, declamadores, entre os celtas e gauleses. Sim, eles eram as fontes de informação na época e naquelas localidades.
De certa forma, como os pregoeiros, os arautos, aqueles que anunciavam algo, em alto e bom som.
Mas, voltemos à chuva. Obviamente, não me refiro às fortes, e rápidas, pancadas de chuva que dividem os compromissos em Belém.
Comunicação empresarial é uma chuva de boas notícias.
Simples, assim.
Imaginemos uma empresa que produza bens e serviços, invista em cidadania, patrocine atividades culturais e esportivas. Que contrate profissionais e que pague impostos. E que, ocasionalmente, ganhe prêmios. Ainda no terreno da ficção, lamentavelmente, esta empresa fictícia não conte nada de bom do que faça.
Por ser líder absoluta de mercado, talvez pense que somente as boas chuvas, que reduzam o calor, façam parte de seu dia-a-dia.
Mas, em determinado momento, esta empresa enfrentará uma crise. Denúncia, problemas financeiros, acusações justa ou injustas, tanto faz.
Esta empresa não irrigou a mídia com uma chuva de boas notícias, quando o vento estava a favor. Agora, na enchente de más notícias, não há bóia de salvação. Corre o risco de afundar, ou, na melhor das hipóteses, de sofrer com uma gripe terrível, que aparecerá, negativamente, nos balanços de final de ano.
Na verdade, esta metáfora da comunicação empresarial vale para tudo na vida. Se não aproveitarmos os bons momentos, as horas felizes que nos sorriem, como enfrentaremos as situações difíceis?
A boa reputação é de lenta e árdua construção. Assemelha-se, nisso, à amizade: difícil de estabelecer, fácil de perder.
A empresa que não comunica suas vitórias terá de amargar suas derrotas sem crédito. E esse, acreditem, é o pior dos mundos em comunicação.

* Jornalista, consultor de comunicação e diretor da Casa da Notícia (SP)

Quem é que nunca parou, principalmente no ambiente de trabalho, e não se fez a seguinte pergunta: o que posso fazer para ter qualidade de vida? Muitos de nós, em razão de excesso de trabalho, colocamos nossa família, nossos interesses e o lazer em segundo plano, acarretando com o tempo a ausência de qualidade de vida pessoal, social e familiar.

Existem pequenas dicas para mudar isso, que podem ser feitas em apenas cinco minutos e nos levam a aliviar o estresse diário, principalmente aquele tão comum no ambiente de trabalho.

- Pare, faça uma pausa.
- Respire fundo, e solte o ar devagarzinho.
- Fique em pé, se movimente um pouco.
- Se for possível, vá até ao banheiro, lave o rosto e molhe a nuca.
- Ingira bastante água. A hidratação é muito importante!
- Se espreguice. Faça movimentos com a perna e braços, levando a articular o sangue.
- Se tiver uma bolinha anti-estresse, faça movimentos com as mãos e com os pés.

Além disso, é importante seguir algumas dicas que nos ajudam a aliviar o estresse diário no ambiente de trabalho:

- Planeje
- Seja organizado
- Compartilhe
- Coloque limites
- Trabalhe em equipe
- Delegue tarefas
- Estabeleça metas
- Saiba lidar com diferenças

Em relação ao aspecto pessoal existem também outras dicas que favorecem a redução do estresse, levando a grande ganho pessoal. Comece a dedicar algum tempo do dia a si próprio. Faça alguma coisa que seja para si. A mudança pode ser gradativa e cotidiana. Se ao invés de levantar correndo você passar a se espreguiçar antes de pular da cama, já estressado, vai se sentir melhor. Se passar a dormir mais e dedicar mais tempo a alguma atividade que lhe dê prazer, com certeza constatará maior rendimento no final do dia. Assim, o tempo passará a ser um amigo, ao contrário do que acontece hoje.

Pra início de conversa…

Para muitos, pode parecer capricho, perfeccionismo, chatice. Mas manter um ambiente de trabalho organizado é mesmo muito útil. Nada pior do que você precisar daquele arquivo com urgência, saber que ele está lá, guardado em algum lugar do seu micro, mas não conseguir achá-lo.

Imagine só, você chega às 9 da manhã, mal dá tempo de ler os jornais do dia, aí tem os e-mails, papéis sobre a mesa, resíduos do dia anterior de trabalho atribulado. De repente, toca o telefone. Um de seus clientes pede, pra ontem, aquele planejamento que aprovou com você, mas, sem querer apagou da caixa de mensagem e precisa dele pra ontem, pois vai apresentá-lo na reunião com a matriz internacional.

Você diz de imediato que envia em cinco minutos. “É só o tempo de ligar meu computador”. A esta altura, depois de uma breve e mortal análise, já sabe que, na verdade, não faz “a menor idéia” de onde foi parar o tal documento. O primeiro passo é procurar nos e-mails, mas fica difícil, uma vez que todas as mensagens vão direto para a caixa de entrada (isso desde 2002, quando você conseguiu o emprego de assessor). Você então recorre à pesquisa do Windows, mas de que adianta se não sabe o nome, nem lembra mais do conteúdo do arquivo? No segundo ato da catástrofe, afinal essa falha coloca em xeque toda a sua competência, você liga pra um amigo nerd “muito safo em recuperar arquivos perdidos”.

Faz parte da vida se “enrolar” de vez em quando. Não vamos ser tão exigentes. No ambiente de trabalho a quantidade de informação leia-se aqui, relatórios, ofícios, notas, pautas, projetos, telefonemas, e-mails, fotos, conversas, reuniões, cafezinhos, eventos, arquivos, gráficos e planilhas são como pipocas pulando na panela.

Mas perder pra desorganização é “morrer na beira”. É retrabalho. Perda de tempo. Perda de credibilidade. Afinal, você ganha a pecha de atrapalhado. Todos rezam pra você nunca sair de férias. Não adianta achar que tudo muda comprando um palmtop ou um Black Barry. Afinal você não consegue se entender nem com os recursos mais básicos dos quais dispõe. Pra se organizar basta vontade, raciocínio lógico e algum método, por mais simples que ele seja.

Dicas:

Primeiro: crie pastas. Pastas para arquivos, pastas de e-mails, pasta de favoritos.

Segundo: seja sensato. Cada arquivo, um nome. Um nome de fato. Nada de “projetos-valendo-01-2008_aaa”. Nomes assim não significam nada. Não são nomes, são charadas. Por mais que ache que vai saber do que se trata. Não vai funcionar. Deixe de teimar com isso. Nunca funciona.

Terceiro: arquivos finais não podem ter seqüências. Final é final e pronto. Entendo que pra se garantir, você não queira apagar os arquivos anteriores (aqueles usados durante a aprovação do projeto). Tenho uma sugestão: guarde estes arquivos em uma pasta específica, com o nome “geral” ou “rascunho” ou “documentos”. O arquivo final deve ficar na pasta “final” ou “aprovado” ou coisa que o valha e se chamar “final” ou “aprovado”. Esse negócio de “projetofinal_0001_finalíssimo2008”, nem pensar.

Quarto: tenha sempre à mão os telefones: do seu chefe, claro; dos seus clientes; dos seus colegas de trabalho; das redações e, principalmente, o seu próprio. Homem esquece em casa ou no carro ou no banheiro. Mulher perde na bolsa.

Quinto: voltando aos cuidados com arquivos e documentos no computador, faça backup periodicamente em CD ou DVD (nunca em pen drive). Fazer backup não quer dizer “limar” o arquivo do computador. É um apoio pra eventualidades. Uma garantia, um seguro de vida, por assim dizer. Não existe sensação melhor que dizer: “Sempre faço backups dos meus arquivos”. Soa muito chique, além de tudo.

Sexto: apenas um adendo: não adianta fazer backups e não identificar a mídia (CD ou DVD) daquela forma sensata de que falamos no item segundo.

Sétimo: post-it é ótimo, colorido e… grudento. Não se permita o hábito de deixar recados para todos, em todos os lugares, em todos os micros, quadros de avisos, mesas e agendas, com textos incompreensíveis, em letras minúsculas e escritas às pressas. Use este recurso em último caso.

Oitavo: tenha sempre. Quando digo sempre quero dizer exatamente isso. Nem “sempre_01_final”, muito menos “sempre_total_definitivo10.03.2008”. Tenha sempre um caderno de anotações. Não vou nem exigir aqui a agenda. Apenas evite bloquinhos improvisados. Nada de anotar coisas importantes em folhas soltas de papel.

Nono: o que não presta vai pro lixo. Não tenha piedade. Tente não se apegar a papéis de bombom, brindes de eventos antigos, canetas que não escrevem mais. Seja forte. Resista à tentação de colecionar calendários, por exemplo. Faça sempre o filtro na sua mesa e gaveta das coisas úteis e inúteis. As opções “coisas que amo” ou “coisas que acho que um dia ainda vou precisar” estão vetadas.

Décimo: ouça com atenção. Está é a décima dica. Música é legal, relaxa, melhora o astral é cultura. MSN também é legal e útil, economiza DDD. Mas música distrai e MSN também. Com isso, mensagens importantes, por falta de atenção, são perdidas. Na hora você não percebe, mas só captou 50% do que lhe foi dito. Não permita que seu trabalho fique fragmentado da mesma forma que a mensagem que você “quase” ouviu.

Aditivado

Entrevista com Francisco Viana

VIANA - Francisco Viana
Jornalista e consultor de empresas, Francisco Viana é autor dos livros De Cara com a Mídia e Comunicação Empresarial de A a Z. Durante mais de 12 anos Viana trabalhou na Revista Istoé como editor de reportagens especiais, sob a direção de Mino Carta. Foi repórter especial de O Globo e chefe de reportagem do jornal A Tarde, em Salvador. Autor de uma dezena de livros, entre eles a biografia de Luiz Carlos Prestes (o mais vendido do País na categoria não-ficção em 1981.

Na entrevista para o Gaby Aditivado, fala mais sobre carreira, estratégias de comunicação e sobre o perfil do novo mercado e do novo profissional que atua nessa área.

Leia o restante deste artigo »

Uma das condições indispensáveis para o sucesso profissional hoje, segundo especialistas em carreira, é criar um bom network - uma rede de contatos que possa auxiliá-lo na busca de um novo emprego ou de novas oportunidades no mercado de trabalho. Os benefícios de ampliar a rede de relacionamentos com pessoas estratégicas do meio profissional pode gerar resultados positivos que vão muito além da simples divulgação de seu currículo.

As indicações repassadas pela rede de network (rede de relacionamento) vão servir, por exemplo, para sabermos vender melhor nossa imagem, reformular o currículo de acordo com as necessidades do cargo e identificar o que temos de melhor para oferecer à empresa.

Uma dica para ampliar a rede de relacionamentos é promover encontros com profissionais ligados à área de trabalho em que se pretende atuar e que estejam há algum tempo na empresa em que deseja trabalhar, ainda que não resultem numa indicação objetiva do seu nome a determinado cargo. Profissionais experientes podem revelar como se sentem trabalhando naquela empresa ou naquele campo de atuação. Podem também comentar sobre as mudanças e perspectivas para o futuro.

As pessoas “estratégicas” que compõem o seu network podem, em algum momento, lembrar seu nome e um desses contatos do network pode levar adiante seu currículo. Mas, mesmo que essa indicação não ocorra, as informações que a rede irá lhe fornecer vão valer o esforço e serão essenciais para reformular suas opções e retomar à luta com mais chances de sucesso.

As dicas são de Rubens Marques Gimael, especialista em aconselhamento de carreira e diretor geral de site www.vidaexecutiva.com.br.